Discriminação Racial dói na alma

Sofri uma descarada e destemida discriminação racial no último dia 25 de março ultimo. Esta foi a pior e mais humilhante experiência que já aconteceu comigo nestes meus 43 anos de vida. Somente aí percebi que discriminação racial dói no fundo da alma, por esta razão quero relatar o fato para que todos saibam que comportamentos discriminatórios não enobresem, apenas o diminue aqueles que o exercem.

Tudo aconteceu quando fui convidada a ser entrevistada por 3 programas de TV, 2 jornais e 1 rádio na minha cidade natal: Belo Horizonte. Contratei os serviços de hospedagem no Hotel LIBERTY SAVASSI localizado `a Rua Paraiba, 1465 na Savassi, desde os Estados Unidos e, ali chegando no dia 25 de março passado, vestida de jeans e usando sandalias baixas, após a longa viagem, recebei tratamento incondizente com o status de consumidora pelo atendente/recepcionista, de nome GERALDO, que, mostrando desprezo à minha pessoa jogou as chaves do quarto no balcão de check-in, não dando-me informaçoes sobre o modo de alcançar os aposentos e, especialmente perguntado, limitou-se a responder secamente: “o número do quarto está na chave.” Seguiu-se que outro atendente/carregador, um afro-descendente, aproximou-se e, com presteza, se dispôs a carregar a bagagem, acompanhando-me até o quarto. Nesse espaço, comentei com o atendente/carregador que estava espantada com o mau atendimento recebido, ao que este replicou que, alí, era comum o mau humor e a indelicadeza na recepção.

Chegando ao quarto, fui abordada por um telefonema pelo mesmo atendente/recepcionista dizendo que se esquecera de pegar o número do meu cartão de crédito para cobrir duas (2) diárias. “O cartão ou pagamento em especie,” disse ele. Nessa oportunidade, referi ao atendente/recepicionista minha indignação pelo mau atendimento e, este retrucou dizendo que trabalhara por 14 (quatorze) anos em hoteis de Nova York e que lá, todo mundo era mal recebido. Ao dizer-lhe que iria procurar o gerente, ele destemidamente disse que eu o fizesse. Imediatamente desci para a àrea de recepção e, ao ser vista pelo aludido atendente/recepcionista, recebi a fala que ele já havia comentado com o gerente e que, querendo, eu poderia falar com ele. Disse que iria reclamar diretamente `a proprietária do hotel dona MARIA JOSÉ CAPANEMA. Nessa oportunidade o recepcionista disse “fique à vontade. Ela está alí,” apontando para uma mesa próxima, no hall do hotel.

Aproximei-me da dona MARIA JOSÉ CAPANEMA e disse: “com licença, senhora. Eu poderia ter a sua atenção por alguns minutos?” Dona MARIA JOSÉ CAPANEMA, instantaneamente olhou para mim e disse: “Você não está vendo que estou ocupada?” Nisso eu aquiesci dizendo “que precisava apresentar uma reclamação por maus tratos do atendente/recepicionista e que a esperaria.” Ao me afastar por dois metros, mais ou menos, daí a segundos, dona MARIA JOSÉ CAPANEMA, já irada, disse a seus interlocutores (ela estava conversando com 2 pessoas na recepção), em altos brados “não se pode conversar com privacidade, deixa eu falar com esta mulher” Aproximando-se ela disse: “oquê você quer?”, isto rispidamente.

A partir desse momento, vendo-me inteiramente inacolhida, disse que gostaria de fazer um reclamação, mas que entendia o porque de haver sido maltratada na recepção, já que a proprietária encorajava esse proceder com o aludido comportamento. E que, face as circunstâncias, solicitei que a minha bagagem fosse devolvida e que eu iria procurar outro hotel, na cidade. Nisso fui prontamente atendida.

Saí do hotel completamente desiludida, pois já hospedei-me nos melhores hoteis em vários países no mundo e jamais havia recebido tratamentos tão hotis. Chorei lágrimas que vieram do fundo da alma. Senti-me pequena, desamparada e ultrajada, seja como cidadã/consumidora, seja como pessoa e afro-descendente. Frise-se que, enquanto eu estava na recepção, ao lado, um senhor de tez clara, que chegou depois de mim, foi pronta e educadamente atendido. Atendido antes de mim. Não é dificil concluir que houve, na base de tudo, um viês de descriminação racial e social. Por isso senti-me tão insultada e, isso, na minha própria terra natal, sabendo-se que sou uma pessoa pública, com vivência internacional e assim reconhecida onde vivo e trabalho, incluindo, mas não limitando a, entidades, órgaos e autoridades, como: (a) o Itamaraty; (b) o Congresso Nacional; (c) a Casa Branca e o Capitólio em Washington; (d) Embaixadas e Consulados brasileiros nos cinco (5) Continentes; (e) tendo presença e reconhecimento em grandes entidades americanas e brasileiras em diversas áreas de atuação, como a saúde, incluindo, neste caso, nove (9) instituiçoes: sete (7) mineiras ALVINOPÓLIS, GOVERNADOR VALADARES, RIO PIRACICABA, uma (1) em SOMBRIO - SANTA CATARINA e uma (1) em FORTALEZA, CEARÁ.

Por esta razão, com o reconhecimento de que aconteceram as ofensas nos moldes acima mencionados, abri uma ação judicial por discrimianação racial à instituição HOTEL LIBERTY SAVASSI para formular o presente pedido de desculpas com o compromisso de, no futuro, não ocorrerem fatos assemelhantes com qualquer cliente que ali procurar os seus serviços. Obriga-se ainda, a pagar R$40,000 (quarenta mil reais), mediante depósito em conta corrente da instituição CURUMIM (instituição que tem a de missão cuidar de crianças pobres e afro-descendentes), em Alvinopolis, Minas Gerais, como parcela para a cobertura dos danos morais. Com essa retratração pública e o pagameno acima mencionado, sntirei-me por atendida, e, não irei no presente ou futuro, salvo reincidencia, reclamar nada dos ofensores seja a que título for.

Ester Sanches-Naek

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